Nanuque de Luto: Aos 74 anos, morre o médico e ambientalista Ivan Claret

Faleceu nesta terça-feira, 12/02, em Governador Valadares, o médico, ambientalista e escritor Ivan Claret Marques Fonseca, ganhador do Prêmio Global 500 de Ecologia, honraria concedida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1990.

O corpo será velado na Câmara Municipal de Nanuque. Sepultamento está marcado para às 17 horas desta quarta feira(13). Completaria 75 anos em julho.

 

Dr. Ivan nasceu dia 11 de julho de 1938 em Santo Estevão (BA), mas desde 1965 reside em Nanuque. Paralelamente à medicina, sempre foi um inquieto defensor da natureza, com vários textos publicados em jornais e revistas, além de livros. Em julho de 1975 publicou seu primeiro livro

- “Pastagens  Melhoradas” – julho de 1975. Daí por diante, foram 104 livros, a metade sobre Ecologia e os restantes  sobre Medicina Preventiva, História e Filosofia. Publicou, também, 380 folhetos com tiragem de cerca de 1.000 exemplares cada, dos quais mais da metade sobre Ecologia.
Trajetória

Em sua trajetória, vale assinalar: membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais; membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores; homenageado pelo Lions Clube de Nanuque, como membro honorário em 1975; pelo Rotary Club de Nanuque, em 1995; pelas Lojas Maçônicas  Grande Oriente do Brasil e Estrela do Mucuri, em 1995.

Desde quando chegou a Nanuque, 47 anos atrás, adquirindo propriedade rural, jamais praticou queimada em suas terras, propiciando o surgimento das essências da Mata Atlântica.

Em 1973, começou a publicar textos de conteúdo ecológico e promover campanhas de conscientização  contra o desmatamento, queimadas, uso indiscriminado de inseticidas e fungicidas, campanhas de arborização urbana, de proteção de nascentes e rodovias, dedicando-se especialmente à conservação do solo e preservação dos remanescentes da Mata Atlântica; campanhas contra o cigarro e prevenção de acidentes de trânsito.

 ”A Mão que Semeia”

Através da Fundação Ecológica “A Mão que Semeia”, editou durante muitos anos o boletim ecológico. Realizou centenas de palestras em escolas do Município e em universidades do País, além de entrevistas à imprensa, tendo participado de programas como Globo Rural, Globo Ecologia, Gente que Faz e outros na emissora de TV local e em nível nacional, além de reportagens nas revistas Veja e Manchete.

Desde 1990, percorreu o Brasil, América Latina, Europa, China, Egito e Israel, cerca de 180.000 km de avião e 130.000 km de carro, ônibus, barco e trem, divulgando o trabalho e a preservação ambiental.

Em 1975, criou um parque ecológico, com área de 5,5 hectares, com cerca de 200 espécies e variedades de plantas que doou à Prefeitura Municipal de Nanuque, em 1979, para servir ao ensino de Educação Ambiental às crianças de Nanuque.
Idealizou e construiu, em 1973, o Museu Regional de Nanuque, com a colaboração da Prefeitura Municipal. Lamentavelmente, o Museu foi desativado.

Museu de Ecologia

Em 1990, com recursos próprios, construiu o Museu de Ecologia, com área de 108 m2, reunindo milhares de publicações sobre ecologia e meio ambiente.
Depois de tantas atividades, em 1990, finalmente, seu trabalho foi reconhecido em nível internacional, quando recebeu o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente.
Ainda em 1990, construiu um trailer para a divulgação de mensagens ecológicas e distribuição de folhetos educativos, informativos e de divulgação do trabalho ecológico.

 

Durante décadas, sempre se preocupou em plantar uma área de 20 hectares, nas proximidades do povoado de Vila Gabriel Passos, com milhares de árvores nativas, frutíferas e ornamentais.

Em 1996, apresentou trabalhos e proferiu palestras na Universidade de Tampere, XX Congresso Florestal de Tampere, na Universidade de Turko e Unicef, em Helsink-Finlândia,  e na Universidade Latino Americana, em Berlim.

Visitou a China, em 1997, a convite do Departamento de Ciências e Tecnologia do Governo.

Também em 96, construiu uma barragem em sua propriedade, em regime de mutirão, para a criação de peixes, com 24.000 m2, e produzindo centenas de quilos de peixe/ano, a fim de incentivar crianças à prática da pesca, fornecendo anzol e linha, incentivando, também, a construção de outras pequenas barragens na região.

Em 1997, construiu o Museu Homo Sapiens, contendo um resumo da cultura humana, com peças em concreto. No mesmo ano, construiu o Mosteiro Franciscano Ecológico para educação ambiental, em regime de mutirão, com doações de amigos.

Reserva da Mata Atlântica

Em 2000, construiu uma Pirâmide em concreto, com 36 m2, como local de meditação. Em 2000, conseguiu com vizinhos a criação de uma reserva da Mata Atlântica junto ao mosteiro com área de 20 (vinte) hectares. Entre 2001 e 2004, construiu em granito réplicas do Mausoléu, da Kaaba em homenagem ao Maometanismo e do Muro das Lamentações em homenagem ao Judaísmo, e a Capela da Paz.

Foi agraciado com a Comenda do Município de Nanuque – o Título de “Cidadão Honorário”.

                                                      Autor do livro “Nanuque – Seu Povo, Sua História”

 

Outra grande contribuição foi o livro de sua autoria – “Nanuque – Seu Povo, Sua História”, editado em 1986, que conta a história da fundação do Município, desde a chegada dos primeiros moradores, datas históricas, ressaltando a economia da região, os primeiros habitantes indígenas, abertura da estrada de ferro Bahia/Minas,  dados geográficos, informações das diversas áreas de interesse e prestação de serviços, pessoas influentes, documentos e fotos antigas. Continua representando a mais completa fonte de pesquisa bibliográfica para estudantes e os órgãos oficiais.
Inclusive, em novembro de 2011, o então vereador Antonio Carlos Aranha Ruas chegou a apresentar na Câmara uma Indicação cobrando apoio e destinação de recursos para viabilizar nova edição – revista e atualizada – do livro.

Na época, ele sugeriu criar uma comissão especialmente designada para tal incumbência, sob a coordenação do autor do livro, formada por pessoas como o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Antonio Pereira Louzi, pessoa conhecedora de aspectos ligados à nossa história; professores da área de Ciências Humanas, como Joan Carvalhais, Maria da Conceição Schieber, Ademir Rodrigues de Oliveira Junior e outros; pessoas que vivenciaram nossa história, como Manoel Borges Gomes, o conhecido “Marraia”, Laerte Souza Gomes;  a educadora Geilda Santos; o cantor e colunista do jornal Objetivo, Arnaldo Francisco, o Nadinho, filho do pioneiro Francelino Francisco, e pessoas citadas pelo autor por terem colaborado na primeira edição, como o fotógrafo e ex-vereador Édem Almeida Rocha, o conhecido “Guará”, e Zélia Aparecida Miranda.

O livro de Dr. Ivan é o mais amplo trabalho utilizado como fonte de consulta para aspectos relacionados à história de Nanuque.

Em nota introdutória da época, o autor escreveu: “Há muitos anos que me intrigava a falta de um livro que contasse a história de Nanuque. A sua história existe, porém, toda fragmentada em diversas fontes. Por isso, nos propusemos a apresentá-la, procurando juntar o que diziam as mais diversas fontes históricas”.

Como se verifica nas páginas da obra, as informações contidas naquela primeira edição abrangem desde a colonização do Vale do Mucuri, a fundação e emancipação de Nanuque, até o ano de 1985. Na lista de prefeitos, o último administrador mencionado é José de Carvalho Caires, que governou Nanuque de 1983 a 1988, bem como a 9ª composição da Câmara Municipal de Nanuque, que já está em sua 16ª Legislatura.

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