Politica | 18 de fevereiro de 2012

Jorge Donati sai como mártir da prisão e lança campanha antecipada à reeleição

“Há males que vêm para o bem”. O dito popular deve ter passado pela cabeça do prefeito Jorge Donati (PSDB) quando ele bateu os olhos no trevo de Conceição da Barra (norte do Estado) e avistou uma recepção de “arrepiar”. Populares esticavam faixas de boas-vindas ao prefeito, que passou os últimos 15 dias encarcerado. A prisão, que foi relaxada graças a um habeas corpus, foi pedida devido ao fato de Donati ser um dos acusados no envolvimento da morte do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos, assassinado em julho de 2010.

Embora a calorosa recepção tentasse passar a impressão de espontaneidade, tudo fora planejado nos mínimos detalhes pela assessoria do prefeito, que trabalhou duro durante os 15 dias de afastamento de Donati.

Antes da chegada de Donati a Conceição da Barra, no início da noite dessa quarta-feira (15), o presidente da Câmara, Ângelo César Figueiredo, o Anjinho (PSD), fora comunicado formalmente por assessores do prefeito, que Donati reassumiria o cargo ainda naquela noite. “Já convoquei todos os vereadores para o ato de transmissão do cargo. A solenidade está marcada para às 20 horas de hoje (15). A cidade toda já está sabendo que o prefeito foi solto e está de volta”, dissera Anjinho.

De fato, tudo aconteceu dentro do planejado. Não houve improvisos. As frases das faixas, o itinerário da carreata, os trajes de Donati e o “grand finale” na Câmara. Tudo foi premeditado para transformar aquele que seria um revés político sem precedentes em um ato de campanha eleitoral antecipada, que consolidaria a reeleição de Jorge Donati com tons de dramaticidade. Afinal, Donati assumiu o papel de mártir.

As faixas “encomendadas” refletiam bem a mensagem que o prefeito desejava passar: “Jorginho, nós acreditamos em você”; “Força Jorginho, a luta continua”; “Jorginho, com você a Barra tem jeito”.

A exemplo das campanhas eleitorais, o carro do prefeito puxou a carreata pelas ruas da cidade. Na turma que seguia o prefeito, muitos servidores da prefeitura, cabos eleitorais, simpatizantes e oportunistas de ocasião.

Com a aparência abatida e um pouco mais magro, Jorge Donati fez questão de se vestir humildemente. Ele usava uma camiseta branca, um jeans e chinelos. O figurino precisa combinar com o personagem de mártir, vítima da injustiça. As roupas “improvisadas” também passavam a impressão de que ele saiu da cadeia para se atirar diretamente nos braços do povo.

Na Câmara, a vice-prefeita Adélia Marchiori (PPS) parecia aliviada e alegre com a volta do chefe. Ela já devia estar contando os dias para reassumir a Secretaria de Educação e poder a falar novamente livremente. Afinal, a vice ficou impedida de se manifestar durante o afastamento de Donati.

Mas a alegria do retorno do prefeito não contagiou somente a vice e os assessores de Donati, os vereadores não ficaram para trás. Foram muitos os afagos e as palavras de “força” para o prefeito que conseguiu “renascer das cinzas”. Todas as acusações sobre o prefeito, o inquérito, depoimentos, o sumiço do processo do “Crime da Ilha”, enfim. Tudo passou a ter uma importância secundária. O que interessa agora é que Jorge Donati está de volta.

Fonte: SeculoDiario.com.br
Por José Rabelo
Foto: Arquivo pessoal Rosi Oliveira/Facebook

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