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Cinzas do polonês Frans Krajcberg são depositadas da Casa da Árvore do Sítio Natura

Artista plástico polonês faleceu dia 15 de novembro, aos 96 anos no Rio de Janeiro

Nova Viçosa – Aconteceu na manhã de domingo (3/12), no Sítio Natura em Nova Viçosa, a última cerimônia em homenagem ao artista plástico Frans Krajcberg. Foi ali no Sítio Natura, onde morou por mais de 40 anos, o ambientalista, pintor, escultor e fotógrafo teve as suas cinzas depositadas no tronco que sustenta a famosa “Casa da Árvore”, localidade onde produziu valiosas obras de arte que encanta o mundo.

O vice-prefeito de Nova Viçosa, Ruberval Lima Porto, foi o primeiro chegar, logo cedo, por volta das 8h30min, ao Sítio Natura. Aos poucos, outras autoridades foram chegando, como o ex-governador baiano Jaques Wagner, atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, prefeitos e vereadores, além de cineastas, artistas, profissionais da imprensa e admiradores, que se juntaram aos funcionários do Sítio, com os quais Frans mantinha uma relação de carinho e amizade.

Segundo informações de Marlene Figueiredo, que era assessora de Frans, as cinzas foram colocadas em uma urna de mármore carrara e depois depositada na árvore. O mármore carrara, também chamado “Bianco Carrara”, é uma pedra natural de origem italiana, caracterizado por ser branco com veios cinza. Foi muito usado durante o Renascimento, como na escultura do Davi de Michelângelo, e ainda hoje é considerado nobre e clássico.

Frans Krajcberg faleceu dia 15 de novembro, no Rio de Janeiro, aos 96 anos. Lá mesmo o seu corpo foi cremado, no Cemitério Vertical Memorial do Carmo. “A data escolhida para a cerimônia foi para poder reunir amigos. Não queríamos que demorasse tanto, mas também não dava para ser logo após a cremação”, explicou Marlene.

 

A cerimônia reuniu autoridades, amigos e funcionários

Artista Internacional

Conhecido principalmente por suas esculturas feitas a partir de troncos e raízes de árvores calcinadas pelos incêndios que derrubam densas áreas verdes para transformá-las em pastos, Krajcberg sempre foi um artista engajado. Sua obra transitou pela pintura, escultura, gravura e fotografia.

Em 12 de abril deste ano, Krajcberg recebeu muitos convidados na festa dos seus 96 anos, quando estiveram presentes atores, políticos, representantes do Judiciário, do Ministério Público e Polícia Militar, empresários, assessores, enfim, muita gente que foi dar-lhes o último abraço.

História

Brasileiro desde 1957 (“A imprensa insiste em dizer que sou polonês naturalizado brasileiro; não sou. Sou brasileiro”, dizia), ele nasceu em Kozienice, Polônia, em 11 de abril de 1921. Antes da guerra, estudou engenharia e artes na Universidade de Leningrado. Chegou aqui em 1948, depois de lutar na Segunda Guerra, onde toda a sua família, de origem judia, foi dizimada no Holocausto.

“Perdi toda a minha família de modo bárbaro. Sabe o que é isso? Fazer um buraco enorme, jogar eles vivos, jogar terra em cima? Não suportava mais viver. Fiquei sozinho, quis fugir de tudo, principalmente do homem”, afirmou certa vez, durante entrevista.

A exuberante natureza do novo país lhe deu o refúgio que buscava. Em 1951, participou da 1ª Bienal Internacional de São Paulo com duas pinturas. Residiu por um breve período no Paraná, isolando-se na floresta para pintar. Em 1956, mudou-se para o Rio de Janeiro, dividindo o ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911-2005). Dois anos depois, revezava-se entre o Rio, Paris e Ibiza.

Para o vice-prefeito Ruberval Lima Porto, parte considerável da projeção que Nova Viçosa alcançou no cenário cultural e turístico do mundo deve ser atribuída a ele. O vice-prefeito lembrou que, no início de 2013, a Assembleia Legislativa da Bahia, sob a presidência do deputado Marcelo Nilo, aprovou projeto de lei que resultou na criação da Fundação Museu Artístico Frans Krajcberg. O projeto, de iniciativa do Governo do Estado, tem o objetivo de preservar o acervo do ambientalista polonês.

A famosa “Casa da Árvore” (arquivo)

“Frans Krajcberg e o seu famoso Sítio Natura tornaram-se referenciais turísticos de Nova Viçosa. Todo mundo passa por ali, à margem da rodovia, para fotografar a casa construída em cima da árvore e contemplar o estilo único do lugar que ele criou para morar há mais de 40 anos. Foi e continuará sendo orgulho para todos nós, merecendo nosso respeito e reconhecimento. Que Deus lhe dê a paz eterna. Aqui, muita saudade”, disse Ruberval.

 

 

 

 

 

Texto e fotos extraído do blog. Cantinho do Ruberval.

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