‘Pulando a cerca’: Cidade mineira aparece em primeiro lugar onde mais se trai

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Minas Gerais é um dos Estados líderes em infidelidade, e a cidade de Ibirité – na região metropolitana de Belo Horizonte – aparece em primeiro lugar, como o município mineiro onde as pessoas mais traem. Curiosamente, as mulheres, consideradas como o “sexo frágil”, aparecem à frente dos homens: elas seriam duas vezes mais ativas quando o assunto é infidelidade online.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ashley Madison, site para encontros extraconjugais, com mais de 54 milhões de membros em todo o mundo, em 2017, o país teve uma média de 138 inscrições mensais no portal eletrônico e, em Minas, os números chegaram a 177 inscrições no ano. O dia de mais acesso foi segunda-feira, quando os brasileiros buscaram uma aventura com outro parceiro sexual.

A explicação para o sucesso da infidelidade no estado mineiro, segundo nota divulgada pela empresa, deve-se à fama de “come-quieto” dos mineiros. Quanto à Ibirité, a infidelidade seria porque a maioria dos cidadãos trabalha em outras cidades. “Isso significa que eles só usam a cidade para dormir, e algumas pessoas nem dormem todos os dias, o que faz com que seu cônjuge procure alguém para passar a noite”, diz a nota.

Para chegar a essa conclusão, houve um mapeamento apenas das pessoas que acessam ativamente a conta online, ou seja, que usam o aplicativo com frequência.

 

Repercussão. Em Ibirité, de todas as pessoas entrevistadas, nenhuma retrucou a informação. “Todo mundo que eu conheço aqui já traiu, foi traído ou os dois. Eu também já traí muito, mas hoje em dia tento me preservar porque não vale a pena. Mesmo assim, não me assusta que a gente esteja em primeiro lugar”, afirma a vendedora Jennifer Silva, 23.

O autônomo Geovani*, 24, concorda. “Há cinco meses terminei o casamento porque a minha ex-mulher me traía. Por alguns meses, eu só conseguia ir para casa a cada 30 dias e ficar uma semana. Numa dessas vindas, descobri que ela estava com um amigo meu. E não é só comigo que já aconteceu. Na minha família, sei de muitos casos de traição também. Meus amigos? Nem se fala! É a cidade da traição, pode ter certeza”, garante o rapaz.

Já o estudante David Pereira, 26, conta que já esteve dos dois lados. “Traí e fui traído aqui em Ibirité. E não tem essa de que mulher ou homem valem mais ou menos. Eu acho que os dois lados estão traindo sem parar. Na verdade, eu nem me engano mais”, expõe o rapaz.

Quanto aos critérios para definir os perfis de quem trai ou é traído em Ibirité, a estudante Lorraine Alves, 18, afirma que a idade é um dos menos importantes. “Acontece com adolescente, adulto, pessoa mais velha. Também não tem lugar certo. Pode ser na escola, no trabalho, na vizinha. A gente fica sabendo de cada coisa que não consegue nem imaginar”, expõe.

* Nome fictício

Dados

Números. De acordo com o IBGE, as mulheres são a maioria em Ibirité. Elas correspondem a 51% do total da população, enquanto os homens correspondem a 49%.

 

Sexo ou sentimento: entenda os aspectos da infidelidade

De modo geral, a traição conjugal pode ser considerada como a perda de exclusividade de um dos parceiros na sua relação a dois, afirma a psicóloga Marisa Ribeiro, especialista em terapia de casais. Mas é importante diferenciar o tipo de infidelidade que está em jogo.

“Se a traição tem predominância de comportamentos sexuais com outro parceiro, consideramos uma infidelidade sexual. Já se for no nível de paixão e desenvolvimento de sentimentos românticos por outra pessoa, é uma infidelidade emocional”, diz.

A psicóloga explica que o conceito pode ir além da relação sexual ou dos sentimentos. “Atualmente, o que se exige da pessoa que partilha a vida conosco é um conjunto de papéis que envolve ser melhor amigo(a), melhor marido (esposa), melhor pai (mãe) ou até melhor amante. Qualquer ação que não vá ao encontro das expectativas do outro pode ser considerado uma traição conjugal”, afirma a especialista.

Sobre os motivos que levam homens e mulheres a pularem a cerca, Marisa é enfática. “Os homens têm mais receio e são mais afetados pela infidelidade sexual da sua parceira. Já as mulheres são mais afetadas pela infidelidade emocional”, pontua.

Ainda segundo Marisa, é possível atribuir uma ótica evolucionária, mas que já está defasada. “Na história da humanidade, durante a perda sexualmente exclusiva, o homem pode se sentir ameaçado. A mulher pode sofrer abandono e perda de recursos do seu parceiro. Mas os valores têm mudado muito para se comparar”, diz.

 

 

 

 

 

 

 

Da Redação

POR: LITZA MATTOS E THUANY MOTTA/jornalotempo MG

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