Destaques | 27 de janeiro de 2012

Mosca causa perdas na produção de leite no norte capixaba

A palha do café é usada por muitos produtores do Espírito Santo como adubo. Porém, no norte do Estado, a estocagem desse material gera a fermentação que permite a proliferação da mosca dos estábulos (Stomoxys calcitrans). A espécie que causa ferimentos nas patas do gado e a queda na produção de leite.

Em algumas propriedades, as perdas chegam a 30%, de acordo com o presidente Cooperativa Agropecuária do Norte do Espírito Santo – que fabrica e comercializa os produtos da marca Veneza -, José Carnieli. “Principalmente, nas que estiverem próximas a lavaouras de café ou a secadores de café”, avalia.

Segundo o médico veterinário da Veneza, Marcelo Vieira, a espécie é mais prejudicial que a mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) e de difícil combate. A região de Nova Venécia, onde está localizada a cooperativa, é grande produtora de café. O uso da palha como adubo, dificulta o controle e aumenta a incidência da mosca. A multiplicação ocorre nos locais onde há acumulo de vinhaça – oriundo das usinas de álcool, proximo a Nova Venécia, na cidade de Boa Esperança.

“Os produtos usados não estão atingindo uma eficácia adequada por mau uso dos produtos e por resistência aos mesmos, onde as orientações dos fabricantes, muitas das vezes não são atendidas, mas, também, há uma resistência natural da mosca aos produtos utilizados. Por não prejudicar a cana de açucar, parece que as usinas nada tem feito para auxiliar o combate”, avalia o veterinário.

A infestação teve início por volta de 2005, ano em que se começou a identificar com mais rigor os prejuizos advindos da mosca-dos-estábulos, segundo Marcelo Vieira. “Os danos são imensuráveis, pois causam lesões na pele com perda de pelos, hiperplasia celular local por irritação, perda de peso, queda de produção de leite e de carne, além de incomodar os funcionários que lidam no dia a dia, pois as moscas também atacam os funcionários”, diz o veterinário.

A mosca dos estábulos difere da mosca do chifre, pelo tamanho (é maior), pelos hábitos (não permanece sobre os animais, afastando-se deles após picá-los) e local de proliferação (as larvas da mosca do chifre se desenvolvem nas fezes dos bovinos e a mosca dos estábulos em pilhas de material vegetal em fermentação). É o que destaca o engenheiro agrônomo, doutor em entomologia e pesquisador do Incaper, Cesar José Fanton.

“Já foi registrada a ocorrência aqui no Estado em canais de vinhaça, subproduto da destilação de álcool ou cachaça. Mas a ocorrência mais comum entre nós é em pilhas ou montes de palha de café. Sua ocorrência nessas condições já foi verificada em vários municípios”, observa.

Remoção imediata

Nos anos 90, o Incaper desenvolveu um projeto de pesquisa para identificar a forma mais adequada de manejar a palha para evitar a proliferação da mosca no município de Alfredo Chaves. “Os resultados indicam que o mais adequado em termos técnicos é a compostagem da palha, que nada mais seria que o revolvimento periódico das pilhas de palha. (Basicamente as pilhas devem ser revolvidas e molhadas a cada 5-6 dias por um período de 40-50 dias.) A maioria dos produtores não tem essa informação. E os que tem não adotam esse procedimento porque é trabalhoso”, afirma o engenheiro agrônomo, doutor em entomologia e pesquisador do Incaper, Cesar José Fanton.

A alternativa mais viável é a remoção imediata das pilhas de palha de café e sua aplicação como adubo orgânico nas lavouras. “O problema continua sendo aquele pessoal que guarda a palha para queimar em secadores, o que é uma barbaridade, tendo em vista a riqueza desse material como adubo orgânico”, conclui.

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